Como o turismo de pesca movimenta a economia?

Lena Soravina Por Lena Soravina
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Joel Alves

Tal como alude Joel Alves, a pesca amadora e esportiva movimenta cerca de três bilhões de reais por ano no Brasil e sustenta perto de 200 mil empregos diretos e indiretos, segundo levantamento do Ministério do Turismo. O país reúne cerca de nove milhões de praticantes, número que ajuda a explicar por que o turismo de pesca deixou de ser nicho e passou a interessar redes de hospedagem, operadores de viagem e órgãos como a Embratur.

Um roteiro que nasce do peixe, não da cidade

Imagine um grupo de amigos decidindo o próximo destino de fim de semana. Em vez de escolher primeiro a cidade, eles escolhem a espécie que querem pescar, o tucunaré na Amazônia, o dourado no Pantanal ou o robalo no litoral, e só depois definem para onde viajar. A lógica inverte o roteiro turístico tradicional e explica por que o turismo de pesca cresce em regiões que dificilmente apareceriam em um guia convencional.

Uma marina no litoral fluminense ilustra bem esse movimento. Pacotes de pescaria que incluem barco, isca e guia especializado partem de valores acessíveis e atraem tanto iniciantes quanto pescadores experientes em busca de espécies específicas, como o robalo ou o olho de boi. Joel Alves informa que estruturas assim funcionam como um dos fatores que profissionalizaram o setor nos últimos anos, avanço que ajuda a explicar a força do turismo de pesca no país.

Por que o turismo de pesca virou vitrine internacional?

O país reúne 8.500 quilômetros de litoral e 35 mil quilômetros de vias navegáveis internas, condições raras que colocam o Brasil entre os destinos mais completos do mundo para a pesca esportiva. Bacias como a do Pantanal e da Amazônia atraem viajantes internacionais interessados em espécies que não existem em nenhum outro lugar, caso do tucunaré, símbolo nacional da modalidade.

A Embratur participou recentemente do Fishing Show Brasil, ao lado de outros ministérios, para reforçar a promoção do país como destino de pesca esportiva no exterior. A edição anterior do evento reuniu mais de 17 mil visitantes e 120 marcas expositoras, números que mostram o tamanho do interesse comercial em torno da atividade.

O que estrutura esse mercado por trás da pescaria?

Por trás de cada viagem existe uma cadeia formada por cerca de três mil pesqueiros, 1.700 meios de hospedagem especializados e centenas de campeonatos espalhados pelo calendário anual. Guias locais, fabricantes de equipamento e operadores de turismo dependem diretamente da preservação dos rios e da regularidade das temporadas de pesca para manter o negócio funcionando.

Joel Alves
Joel Alves

A tecnologia também mudou a forma de planejar uma pescaria. Aplicativos de previsão do tempo, sonares portáteis e grupos de troca de informação entre pescadores ajudam a definir o melhor período e local para cada espécie. Para quem acompanha esse mercado, entre eles Joel Alves, a combinação entre tecnologia e conhecimento tradicional de pesca é um dos fatores que mais evoluíram na última década.

Os desafios para sustentar o crescimento

Manter esse ritmo de expansão depende de equilibrar o aumento de visitantes com a capacidade dos rios e lagos de suportar a pressão de pesca. Práticas como o pesque e solte ajudam a conciliar turismo e conservação, mas dependem de fiscalização e de conscientização constante dos praticantes.

A qualificação profissional de guias e prestadores de serviço também aparece como prioridade entre órgãos públicos e privados do setor. Formar mão de obra especializada evita acidentes, melhora a experiência do turista e reduz o impacto ambiental de pescarias mal orientadas.

O que esperar dos próximos anos?

A tendência apontada por associações do setor é de crescimento contínuo, puxado tanto pelo público interno quanto pelo aumento de visitantes estrangeiros interessados em experiências ligadas à natureza. Investimentos em infraestrutura de hospedagem e em promoção internacional devem ampliar ainda mais a presença do Brasil no mapa da pesca esportiva mundial.

Por fim, Joel Alves alude que, para quem enxerga a pesca como economia e não apenas como lazer, o desafio dos próximos anos está em transformar esse crescimento em desenvolvimento sustentável para as comunidades que vivem ao redor dos principais destinos, sem perder o que torna a experiência única para quem viaja atrás do peixe.

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