O que está por trás da mamografia negativa? Entenda o câncer de mama que pode passar despercebido

Diego Rodríguez Velázquez Por Diego Rodríguez Velázquez
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Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues

Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, médico radiologista e ex-secretário de Saúde, esclarece que a mamografia continua sendo o principal exame para o rastreamento do câncer de mama e uma das estratégias que mais contribuíram para reduzir a mortalidade pela doença nas últimas décadas. No entanto, nenhuma tecnologia diagnóstica é capaz de identificar todos os tumores. Em uma pequena parcela dos casos, o câncer pode não ser visualizado na mamografia, o que costuma gerar dúvidas e insegurança entre as pacientes.

Esse cenário não significa, necessariamente, que houve um erro durante a realização ou interpretação do exame. Existem fatores biológicos e técnicos que podem dificultar a identificação de determinadas lesões, além de tumores que apresentam crescimento acelerado entre um rastreamento e outro. Compreender essas situações ajuda a entender por que o diagnóstico por imagem evoluiu para uma abordagem cada vez mais personalizada, que combina diferentes exames, avaliação clínica e análise individual dos fatores de risco.

O que são os chamados cânceres de intervalo?

Quando um câncer de mama é diagnosticado após uma mamografia considerada normal e antes da próxima rodada de rastreamento, ele recebe o nome de câncer de intervalo. Esse tema tem despertado grande interesse entre pesquisadores porque oferece informações importantes sobre os limites dos exames e sobre o comportamento biológico da doença.

Em muitos casos, esses tumores não estavam presentes ou eram imperceptíveis no momento da mamografia anterior. Em outros, a lesão já existia, mas apresentava características que dificultavam sua visualização. Dr. Vinicius Rodrigues aponta que compreender essa diferença é fundamental para evitar interpretações equivocadas de que todo câncer de intervalo representa uma falha do exame ou do profissional responsável pelo laudo.

Por que alguns tumores são mais difíceis de identificar?

Um dos principais fatores que interferem na capacidade da mamografia é a densidade mamária. Mulheres com mamas mais densas apresentam maior quantidade de tecido fibroglandular, que aparece branco nas imagens, exatamente como muitos tumores. Esse fenômeno pode dificultar a diferenciação entre estruturas normais e alterações suspeitas, reduzindo a sensibilidade do exame em determinados casos.

Conforme elucida o Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, também existem tumores biologicamente mais agressivos que podem crescer rapidamente entre duas mamografias realizadas dentro do intervalo recomendado. Além disso, a localização da lesão, seu tamanho inicial e determinadas características radiológicas podem tornar sua identificação mais complexa. Essas limitações são reconhecidas internacionalmente e fazem parte das pesquisas que buscam aperfeiçoar continuamente o diagnóstico por imagem.

Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues
Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues

Quando outros exames se tornam importantes?

Embora a mamografia seja considerada o exame de primeira escolha para o rastreamento, ela nem sempre responde sozinha a todas as dúvidas clínicas. Dependendo da idade da paciente, da densidade mamária, dos sintomas apresentados e do risco individual para câncer de mama, outros métodos podem ser utilizados para complementar a investigação.

Na avaliação do Dr. Vinicius Rodrigues, a ultrassonografia, a ressonância magnética e a tomossíntese mamária são exemplos de exames que oferecem informações adicionais em situações específicas. O objetivo não é substituir a mamografia, mas ampliar a capacidade diagnóstica quando existem características que justificam uma avaliação mais detalhada. A escolha do exame complementar depende sempre da indicação médica e das características de cada paciente.

Como a tecnologia está reduzindo esses desafios?

A busca por diagnósticos cada vez mais precoces impulsionou importantes avanços tecnológicos nos últimos anos. Sistemas de inteligência artificial já auxiliam radiologistas na identificação de áreas suspeitas, enquanto a tomossíntese produz imagens tridimensionais que reduzem a sobreposição dos tecidos mamários, facilitando a visualização de pequenas alterações.

Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues destaca que outra tendência é a personalização do rastreamento. Em vez de adotar uma única estratégia para todas as mulheres, pesquisadores estudam modelos que consideram idade, densidade mamária, histórico familiar, fatores genéticos e outras características individuais para definir quais pacientes podem se beneficiar de exames complementares ou de um acompanhamento mais próximo. Essa abordagem tem potencial para aumentar a precisão do diagnóstico sem ampliar desnecessariamente o número de procedimentos.

O diagnóstico precoce depende de uma avaliação integrada

A evolução da radiologia demonstra que nenhum exame deve ser analisado de forma isolada. A mamografia continua sendo uma ferramenta indispensável para reduzir a mortalidade por câncer de mama, mas seus resultados precisam ser interpretados em conjunto com a avaliação clínica, os fatores de risco e, quando indicado, outros métodos de diagnóstico por imagem.

Para o Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, compreender as limitações e as potencialidades de cada tecnologia é um dos caminhos para fortalecer a medicina preventiva. Mais do que buscar um exame perfeito, o objetivo da radiologia moderna é integrar diferentes recursos diagnósticos para identificar a doença o mais cedo possível, permitindo tratamentos menos agressivos e aumentando as chances de recuperação das pacientes.

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