O empresário Tiago Oliva Schietti elucida o assunto consórcio, um dos produtos financeiros que mais cresce entre brasileiros que buscam alternativas ao crédito tradicional. Nos últimos anos, a comparação entre consórcio e financiamento tornou-se recorrente entre quem pretende adquirir um bem sem recorrer a taxas elevadas de juros, e entender a lógica por trás dessa diferença ajuda o consumidor a tomar decisões mais conscientes sobre o próprio orçamento.
Enquanto o financiamento envolve a concessão imediata de crédito por uma instituição financeira, com cobrança de juros sobre o valor emprestado ao longo de todo o contrato, o consórcio funciona por meio da união de participantes em um grupo que financia coletivamente as cartas de crédito distribuídas ao longo do prazo estabelecido. Essa diferença estrutural entre os dois modelos é o que explica, em grande parte, por que o custo financeiro de cada modalidade se comporta de maneira tão distinta ao longo do tempo.
Como o consórcio se diferencia do financiamento tradicional?
No financiamento, o valor liberado ao consumidor é acrescido de juros calculados sobre o saldo devedor remanescente, o que eleva consideravelmente o custo total pago ao longo de todo o período contratado. Segundo análises do setor, essa cobrança remunera a instituição financeira pelo risco assumido e pelo capital disponibilizado de forma imediata, características que não existem da mesma maneira dentro da estrutura de um grupo de consórcio.
Conforme detalha Tiago Oliva Schietti, o consórcio não envolve empréstimo de capital por parte da administradora, já que o dinheiro utilizado na composição das cartas de crédito provém das contribuições mensais dos próprios participantes reunidos no grupo. Essa lógica de autofinanciamento coletivo é o motivo central pelo qual o produto dispensa a cobrança de juros no formato bancário tradicional, restando apenas taxas administrativas e, em alguns casos, fundo de reserva previsto em contrato.
Por que a taxa de juros do consórcio tende a ser menor?
A ausência de juros bancários convencionais faz com que o consórcio apresente um custo mensal proporcionalmente inferior ao de um financiamento equivalente, mesmo quando os prazos contratados são semelhantes entre as duas modalidades. Tiago Oliva Schietti aponta que essa característica costuma atrair especialmente consumidores que priorizam previsibilidade orçamentária e não dependem de contemplação imediata para planejar a aquisição de um bem específico.

Ainda assim, vale destacar que o consórcio cobra taxa de administração, calculada sobre o valor total da carta de crédito e diluída ao longo de todas as parcelas mensais do plano contratado. Essa taxa remunera a administradora pela gestão do grupo e pela operação do sistema, mas costuma representar um percentual bem inferior ao volume de juros acumulado em um financiamento de longo prazo, reforçando a diferença de custo entre as duas alternativas de crédito disponíveis no mercado.
O papel do fundo comum na formação do custo do consórcio
O fundo comum reúne as contribuições mensais de todos os integrantes de um grupo e representa a peça central que sustenta a formação das cartas de crédito distribuídas por sorteio ou por lance ao longo do plano. Esse mecanismo coletivo é o que substitui a necessidade de captação externa de recursos por parte da administradora, eliminando justamente o componente de juros que tradicionalmente encarece o crédito oferecido pelas instituições bancárias.
Como pondera Tiago Oliva Schietti, entender o funcionamento do fundo comum ajuda o consumidor a perceber que o consórcio não representa uma forma de crédito subsidiado, mas sim um sistema de poupança programada com objetivo bem definido dentro de um prazo contratual. Essa percepção evita comparações equivocadas entre os dois produtos e favorece decisões mais alinhadas ao perfil financeiro de cada participante do grupo.
Quando vale considerar o consórcio no planejamento financeiro?
Para quem não tem pressa em adquirir um bem e valoriza o controle sobre o orçamento mensal, o consórcio tende a se apresentar como alternativa vantajosa frente ao financiamento, justamente pelo custo total reduzido ao longo do plano. Essa característica se torna ainda mais relevante em cenários de juros elevados na economia, quando o financiamento tradicional se torna proporcionalmente mais caro para o consumidor final.
Tiago Oliva Schietti reforça, em suas análises sobre o setor, que a escolha entre consórcio e financiamento depende diretamente do horizonte de planejamento de cada consumidor. Quem prioriza previsibilidade financeira e pode aguardar o momento da contemplação encontra no consórcio uma estrutura de custo mais enxuta, enquanto quem precisa do bem de forma imediata segue dependente das condições específicas oferecidas pelo crédito bancário tradicional.
