James Webb detecta, pela primeira vez no espaço, uma molécula de carbono, essencial para a vida

By Kalpon Arris 155 Views
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Dados coletados pelo telescópio espacial James Webb ajudaram uma equipe internacional de cientistas a detectar, pela primeira vez no espaço, uma molécula de carbono, componente essencial para a formação de vida.

A informação foi divulgada nesta segunda-feira (26) pela Nasa, agência espacial americana.

A molécula de cátion metila (CH3+) foi encontrada em um disco protoplanetário em um sistema estelar jovem localizado na Nebulosa de Órion, a 1.350 anos-luz de distância da Terra. Segundo a astrofísica Roberta Duarte, o disco protoplanetário é uma estrutura que formará planetas.

O gancho para pesquisas ainda é inicial, mas, como o composto auxilia na formação de moléculas mais complexas baseadas em carbono, a descoberta é considerada muito importante.

“Essa descoberta já é a concretização de uma das primeiras missões do James Webb, que é a busca por elementos da vida, de uma Terra 2.0”, diz Roberta.
Além disso, pode ajudar os cientistas a entenderem por que e como essas moléculas puderam se formar aqui na Terra e apontar uma direção na busca de vida no espaço.

“Representa um norte. Chegar à conclusão de que estrelas muito quentes (azuis) ionizam o gás que possibilitam a formação dessas moléculas dá um norte de onde procurá-las. Talvez esses elementos indiquem que esse possa ser um lugar com alta habitabilidade”, diz a astrofísica.

Cassio Barbosa, astrônomo do centro universitário FEI, explica que a molécula CH3+ possui facilidade para se combinar com outras maiores e dificuldade de se neutralizar com hidrogênio, que é abundante no espaço. Sendo assim, ela pode ser a base da química orgânica do espaço.

Para os cientistas, a existência da molécula neste ponto do universo pode ser explicada pela grande quantidade de radiação ultravioleta emitida por outras estrelas, com a qual o sistema estelar é bombardeado. “Essa radiação propicia que ela se agregue a outras, fazendo mais combinações e com mais facilidade”, diz o astrônomo Cassio.

“Essa descoberta corrobora com a ideia de que a vida na Terra está associada com o nascimento de estrelas azuis (mais quentes, que vivem menos). Uma delas poderia estar próxima do Sistema Solar e ter contribuído para a formação dessas moléculas mais complexas aqui na Terra”, afirma Roberta.

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