Uma pesquisa nacional identificou uma diferença entre a forma como os brasileiros avaliam a própria saúde e alguns hábitos relacionados à prevenção de doenças. De acordo com o levantamento, 59% dos entrevistados consideram sua saúde ótima ou boa. Ao mesmo tempo, 63% estão acima do peso e 42% afirmam não praticar atividade física.
O estudo foi realizado pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados. Os dados foram divulgados pela Agência Brasil em 24 de setembro de 2026 e ajudam a retratar como a percepção individual de bem-estar nem sempre acompanha indicadores associados à saúde preventiva.
O que mostra a pesquisa sobre a saúde dos brasileiros
O levantamento ouviu presencialmente 2.015 pessoas com 16 anos ou mais, entre 25 e 30 de junho de 2026. A coleta foi realizada nas 27 unidades da Federação, com margem de erro de dois pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%.
Entre os participantes que estavam acima do peso, 37% foram classificados com sobrepeso e 26% com obesidade, conforme os dados apresentados pela pesquisa. Esses números não representam um diagnóstico individual, mas oferecem um panorama nacional sobre um dos fatores que devem ser acompanhados em avaliações de saúde.
A diferença entre a autopercepção e os hábitos observados reforça a importância de não considerar apenas a ausência de sintomas ou a sensação momentânea de disposição. Muitos fatores relacionados à saúde podem evoluir de forma silenciosa e precisam ser acompanhados ao longo do tempo, com avaliação adequada para cada pessoa.
Atividade física ainda não faz parte da rotina de muitos
O estudo também apontou que 42% dos entrevistados não praticam atividade física. Entre aqueles que fazem exercícios, a média foi de 2,4 dias por semana. O resultado indica que a prática ainda não está incorporada de maneira regular à rotina de uma parcela significativa da população.
A atividade física é um dos aspectos que podem ser considerados em uma estratégia de cuidado preventivo, junto com alimentação, sono, acompanhamento médico e outros hábitos. A frequência e o tipo de exercício, no entanto, devem levar em conta as condições de saúde, a idade e a realidade de cada indivíduo.
Por isso, os dados da pesquisa não devem ser usados para estabelecer uma meta única para todos nem para substituir uma avaliação profissional. O levantamento mostra uma tendência da população entrevistada, enquanto a orientação sobre mudanças de rotina precisa ser individualizada.
Preço dos alimentos aparece como barreira
A alimentação foi outro ponto destacado pelo levantamento. Entre as pessoas que relataram dificuldade para manter hábitos alimentares considerados saudáveis, 29% apontaram o preço de carnes, frutas e vegetais como um obstáculo. Outros 21% mencionaram a falta de tempo e o cansaço da rotina.
As respostas mostram que a adoção de hábitos saudáveis não depende apenas de decisões individuais. Condições econômicas, jornada de trabalho, tempo disponível e acesso aos alimentos influenciam as possibilidades de escolha e podem dificultar a manutenção de uma rotina equilibrada.
Esse contexto é relevante para evitar que os resultados sejam interpretados como responsabilidade exclusiva de cada pessoa. A promoção da saúde também envolve condições que permitam o acesso a alimentos adequados, espaços para atividade física e serviços de acompanhamento.
Percepção positiva não elimina a necessidade de prevenção
A avaliação positiva da própria saúde pode refletir a ausência de sintomas percebidos ou uma sensação geral de bem-estar. Ainda assim, ela não substitui o acompanhamento de fatores como peso, alimentação, sedentarismo e consumo de álcool, entre outros aspectos que podem ser discutidos com profissionais de saúde.
O Medicina S/A também apresentou detalhes metodológicos da pesquisa A.C.Camargo/Nexus. Já o A.C.Camargo Cancer Center mantém informações relacionadas à percepção de sintomas e à prevenção do câncer colorretal.
Para o leitor, a principal mensagem do levantamento é que sentir-se saudável e cuidar da saúde são dimensões complementares. A percepção de bem-estar pode ser positiva, mas deve vir acompanhada de atenção contínua aos hábitos, de consultas quando necessário e de medidas preventivas compatíveis com cada realidade.
