Com fim das bets no Brasil, Ministério da Saúde orienta sobre riscos à saúde mental

Redação Revista Vida Por Redação Revista Vida
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A interrupção das apostas online no Brasil levou o Ministério da Saúde a reforçar as orientações para pessoas que enfrentam dificuldades relacionadas às bets. A recomendação é buscar ajuda diante de sinais como ansiedade, irritabilidade, inquietação, alterações no sono e desejo intenso de voltar a jogar. O atendimento está disponível na rede pública de saúde, incluindo Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e o aplicativo Meu SUS Digital.

A orientação foi divulgada após a assinatura da Medida Provisória nº 1.394/2026, em 25 de setembro de 2026. A medida proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das chamadas bets no país. Segundo o Ministério da Saúde, os sites e aplicativos de apostas deveriam sair definitivamente do ar em 6 de outubro.

Até 5 de outubro, os usuários ainda poderiam solicitar o saque de valores disponíveis nas plataformas, conforme as orientações divulgadas pelo governo. A mudança no acesso aos serviços, porém, não elimina automaticamente os impactos provocados pelo comportamento compulsivo. Por isso, a pasta recomenda atenção aos sintomas e aos efeitos das apostas sobre a rotina, as relações familiares, o sono e a vida financeira.

Quais sinais indicam que é hora de buscar ajuda

O material do Ministério da Saúde destaca que o problema pode aparecer quando a pessoa perde o controle sobre o tempo ou o dinheiro destinado às apostas. A ansiedade relacionada à interrupção do jogo, a irritabilidade, a inquietação e a dificuldade para dormir estão entre os sinais que merecem atenção. Também é importante observar a presença de um desejo persistente de voltar a apostar, mesmo quando a atividade já causa prejuízos.

As consequências podem atingir diferentes áreas da vida. Dificuldades financeiras, conflitos familiares, sofrimento emocional e mudanças no comportamento são situações que podem indicar a necessidade de acolhimento profissional. A busca por atendimento não depende de a pessoa reconhecer sozinha uma dependência ou de esperar que os problemas se agravem.

Familiares e pessoas próximas também podem participar desse cuidado. Em vez de tratar o problema apenas como falta de disciplina, a orientação é oferecer escuta e incentivar o contato com os serviços de saúde. O acolhimento pode ajudar a identificar a necessidade de acompanhamento e a encaminhar o usuário para a Rede de Atenção Psicossocial do Sistema Único de Saúde.

Como funciona o atendimento pelo SUS

A porta de entrada pode ser a UBS, onde a pessoa recebe uma avaliação inicial e orientações conforme sua necessidade. Os CAPS também fazem parte da rede de cuidado em saúde mental e podem oferecer acompanhamento especializado. O acesso deve considerar as características de cada município e os serviços disponíveis na região.

Outra alternativa é o Meu SUS Digital. Desde agosto, o aplicativo passou a oferecer até 100 mil teleatendimentos mensais para pessoas com necessidades relacionadas a jogos e apostas, de acordo com informações do Ministério da Saúde. O serviço prevê acompanhamento remoto, sigiloso e encaminhamento para a rede de atenção quando necessário.

O governo também desenvolveu uma campanha de prevenção aos danos associados às apostas online. A iniciativa busca informar a população sobre os riscos à saúde mental e indicar caminhos de cuidado no SUS. Para quem não sabe qual serviço procurar, a orientação é começar pela unidade de saúde mais próxima ou utilizar os canais digitais oficiais.

Impacto das apostas ultrapassa o prejuízo financeiro

O tema ganhou relevância não apenas pelo volume de dinheiro movimentado, mas também pelos efeitos sociais e emocionais associados ao uso compulsivo das plataformas. Reportagem da Agência Brasil informou que o impacto financeiro dos danos à saúde relacionados às bets pode chegar a R$ 30,6 bilhões por ano. A mesma apuração apontou crescimento de 140% na busca por atendimento no SUS relacionada à dependência de apostas nos cinco anos anteriores.

Esses dados ajudam a dimensionar por que a questão é tratada como um tema de saúde pública. O problema não se limita ao resultado de uma aposta específica: pode envolver repetição do comportamento, tentativa de recuperar perdas, endividamento e sofrimento psicológico. A interrupção das plataformas torna ainda mais importante oferecer informação e atendimento para pessoas que já apresentavam dificuldades.

Quem perceber mudanças persistentes no humor, no sono, nas finanças ou na convivência familiar pode procurar ajuda sem esperar uma crise. O atendimento pelo SUS é gratuito, e o primeiro passo pode ser conversar com um profissional em uma UBS, buscar um CAPS ou acessar o Meu SUS Digital. Familiares também podem procurar orientação para compreender como apoiar o usuário sem ampliar conflitos.

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