Dados jurídicos fragmentados entre tribunais: como a CyndIA sustenta uma visão única do contencioso?

Lena Soravina Por Lena Soravina
7 Min de leitura
Vert Analytics

A Vert Analytics, empresa especializada em hiperautomação para grandes empresas e governo e referência brasileira em inteligência artificial, desenvolveu a CyndIA para reunir em uma única visão informações jurídicas que costumam ficar dispersas entre dezenas de sistemas. Uma empresa com operação em vários estados dificilmente concentra suas ações judiciais em um único tribunal. Cada unidade da federação tem seu próprio sistema processual, seu próprio portal de consulta e sua própria forma de organizar movimentações, deixando o jurídico corporativo diante de dados jurídicos fragmentados entre plataformas que não conversam entre si.

A solução própria de inteligência artificial integra atualmente 96 tribunais brasileiros, capturando movimentações direto na fonte e interpretando o conteúdo de cada decisão por meio de um agente jurídico apoiado em inteligência artificial generativa. Com isso, elimina a necessidade de conferir cada sistema separadamente e cria uma base única para acompanhar o contencioso distribuído pelo país.

Por que os dados jurídicos ficam fragmentados entre tribunais?

Cada tribunal brasileiro opera com sistema próprio de processo eletrônico, regras de acesso específicas e formato distinto de disponibilizar movimentações. Um mesmo despacho pode aparecer com nomenclatura diferente de um estado para outro, e a estrutura de dados de um portal raramente é compatível com a de outro. Para uma empresa que atua nacionalmente, isso significa multiplicar por dezenas o número de fontes que o jurídico precisa acompanhar.

Historicamente, esse acompanhamento dependia de pessoas conferindo cada sistema manualmente ou de planilhas alimentadas à mão a partir de relatórios pontuais enviados por escritórios parceiros em diferentes regiões. A Vert Analytics identifica que esse modelo funciona até certo ponto, mas cresce em custo e em risco de erro na mesma proporção em que a empresa expande sua presença geográfica e o volume de processos aumenta junto com ela.

Bancos, seguradoras e empresas de energia sentem esse problema com mais intensidade, já que reúnem contencioso de natureza distinta — trabalhista, tributário e cível — espalhado por praticamente todo o território nacional. Nesses casos, a ausência de uma visão única não é apenas um incômodo operacional: pode significar que um mesmo risco jurídico esteja se repetindo em diferentes estados sem que ninguém no jurídico corporativo perceba o padrão a tempo de agir.

Como a integração entre sistemas jurídicos funciona na prática?

Unificar essa informação exige mais do que juntar exportações de planilhas em um único arquivo. É preciso capturar movimentações direto na fonte, interpretar o conteúdo de cada despacho e traduzir tudo para um formato comum, independentemente de como aquele tribunal organiza seus dados.

Esse trabalho de interpretação é o ponto em que a inteligência artificial generativa se torna relevante. Um agente jurídico apoiado nesse tipo de tecnologia consegue ler uma decisão redigida em linguagem jurídica corrida, identificar do que se trata e classificar automaticamente o andamento, sem depender de um humano lendo cada peça processual uma a uma. Esse tipo de leitura automatizada costuma reduzir de forma significativa o tempo que equipes jurídicas gastam apenas organizando informação, antes mesmo de analisá-la.

O papel da CyndIA na consolidação de tribunais diferentes

Foi para responder a esse tipo de dispersão que a Vert Analytics desenvolveu a CyndIA, solução própria de inteligência artificial dedicada à gestão de risco jurídico. A CyndIA integra atualmente 96 tribunais brasileiros, reunindo movimentações de origens completamente distintas em uma única visão consolidada, atualizada conforme os próprios tribunais publicam as informações.

Além da integração, a CyndIA conta com um agente jurídico apoiado em inteligência artificial generativa, capaz de interpretar o conteúdo de cada movimentação, sugerir a ação cabível e organizar teses e fundamentos já utilizados em casos anteriores. Essa combinação entre integração ampla e leitura automatizada é o que permite tratar milhares de processos como uma carteira única, e não como casos isolados espalhados por sistemas incompatíveis.

Esse agente jurídico não se limita a classificar movimentações. Ele também compara o histórico de decisões de cada tribunal para estimar a probabilidade de êxito de uma tese específica, cruzando esse dado com o comportamento de milhares de processos semelhantes já processados pela CyndIA. É esse tipo de leitura estatística, aplicada aos mesmos 96 tribunais já integrados, que transforma a base consolidada em uma ferramenta de decisão, e não apenas em um repositório de dados organizados.

O que muda quando o jurídico enxerga tudo em um só lugar?

Quando a informação processual deixa de estar espalhada, o tipo de pergunta que o jurídico consegue responder muda de patamar. Deixa de ser apenas “o que aconteceu neste processo” e passa a ser “qual o comportamento do meu contencioso como um todo, em todos os estados onde eu atuo”. Essa mudança afeta decisões de provisionamento, prioridade de atuação e estratégia de acordo, porque agora existe uma base comum para comparar processos entre si.

Existe também um efeito sobre como a diretoria enxerga o jurídico. Métricas de risco processual, antes presas em relatórios isolados por escritório ou por estado, passam a compor um indicador único, acompanhável pela alta gestão com a mesma regularidade de qualquer outro painel financeiro da empresa. Esse tipo de visão consolidada tende a se tornar padrão à medida que mais companhias percebem o custo escondido de manter o contencioso fragmentado entre sistemas que nunca foram pensados para conversar entre si.

Grandes empregadores sentem essa diferença na prática do dia a dia jurídico. Um contencioso trabalhista com milhares de ações simultâneas, distribuído entre varas de diferentes estados, deixa de exigir que cada unidade de negócio acompanhe seu próprio recorte isolado, passando a alimentar um único painel corporativo sobre o comportamento processual da empresa como um todo. Para jurídicos que ainda lidam com essa dispersão todos os dias, entender como a Vert Analytics estrutura essa integração entre tribunais é um bom ponto de partida antes de decidir os próximos passos.

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